Preparando o carnaval

Começaram os ensaios do Cambinda! Todos os sábados e domingos, a partir das seis da tarde neste mês de dezembro.
E também ontem fizemos uma reunião para definir o calendário de arrastões culturais nas comunidades que fazem o Cambinda. Este ano há uma ótima novidade: algumas comunidades vão organizar festivais em que grupos de capoeira, maculelê, teatro e o batuque se apresentarão visando a perfeita integração das comunidades no Cambinda e a formação de uma bela e forte rede de sociabilidade.

Estão todos convidados!!

Calendário de Ensaios, Arrastões, Festivais.

17/12 – Festival em Passarinho, com a participação do Cambinda, grupo de capoeira e maculelê
06/01 – Arrastão na Capilé
07/01 – Festival em Chagas Ferreira
13/01 – Arrastão nos Coelhos
14/01 – Festival no Burity
20/01 – Arrastão Passarinho
21/01 – Festival Chão de Estrelas
27/01 – Arrastão Ilha do Joaneiro
28/01 – Festival Capilé
03/02 – Arrastão no Burity
04/02 – Arrastão emChagas Ferreira
09/02- Arrastão em Chão de Estrelas

Anúncios
Publicado em Não categorizado | Marcado com | Deixe um comentário

Espetáculo ou festa: qual a diferença?

A dominação consciente da história pelos homens que a constroem, eis todo o projeto revolucionário. A história moderna, como toda a história passada, é o produto da práxis social, o resultado – inconsciente – de todas as atividades humanas. Vivendo a época de sua dominação totalitária, o capitalismo produziu aquela que é sua nova religião: o espetáculo . O espetáculo é a realização terrestre da ideologia. Nunca o mundo funcionou tão bem de cabeça pra baixo. E como a crítica da religião, a crítica do espetáculo é hoje a primeira condição para qualquer crítica.
(…) Transformar o mundo e mudar a vida são a única e a mesma coisa, as palavras de ordem inseparáveis que acompanharão a supressão de classes, a dissolução da sociedade presente, como reino da necessidade, o acesso enfim possível ao reino da liberdade. A crítica radical e a livre reconstrução de todas as condutas e valores impostos pela realidade alienada são seu programa máximo, e a criatividade liberada na construção de todos os momentos e eventos da vida é a única poesia que ele irá reconhecer, a poesia feita para todos, o início da festa revolucionária. As revoluções proletárias serão festas ou não serão nada, pois a vida que anunciam será ela própria criada sob o signo da festa. O jogo é a última racionalidade dessa festa, viver sem tempo morto e gozar, sem impedimento, são as únicas regras que ele poderá reconhecer.
“Manifesto” situacionista, 1966
Publicado em Não categorizado | Deixe um comentário

Maracatus, xangôs e juremas. A alegria de viver

O embate entre transformações históricas e mito permeia a história dos maracatus-nação, e não há respostas prontas para essa relação. Nunca é demais lembrar que, como já nos advertiu Marshall Sahlins, “a transformação de uma cultura é também um modo de sua reprodução”. A relação dos maracatus-nação com os cultos afro-descendentes seja o Xangô ou a Jurema é nodal na definição identitária dos grupos.

Assim como o maracatu é um ponto numa rede de sociabilidades, o xangô e a jurema são nós importantes desses cruzamentos. Uma festa de xangô, para além da relação com o sagrado, é também um momento importante de confraternização, de conhecer pessoas, de ser reconhecido ou encontrar amigos que não se via há tempos.

Mas acima de tudo, maracatus, xangôs e juremas são momentos em que a alegria de viver e a beleza são compartilhadas.

Publicado em Não categorizado | Deixe um comentário

Carnaval: rasgando a fantasia e desmascarando os lugares sociais.


Carnaval: rasgando fantasias e desmascarando os lugares sociais

Isabel Cristina Martins Guillen

Publicado no jornal Brasil de Fato, edição de 17 a 23 de fevereiro de 2005.

Vários estudiosos das ciências humanas interpretaram o carnaval como uma festa em que a hierarquia social é invertida – os pobres se fantasiam luxuosamente, brilham e dão o espetáculo para aqueles que durante o ano todo os empregam. Domésticas, catadores de papelão, pais e mães de santo, durante o carnaval aparecem como os ricos de vida e alegria, de cultura popular, de ginga e som, e nessa inversão constroem-se “verdadeiras muralhas contra a insatisfação social”. Ainda que não seja possível desconsiderar as importantes observações de Roberto da Matta, gostaria de apontar frestas nessas estruturas hierarquizantes. Brechas que no cotidiano do carnaval, que não é planejado, afloram e apontam para a compreensão de quão hierarquizada é nossa sociedade, de como os lugares sociais são demarcados e territorializados. Quando o Maracatu Nação Cambinda Estrela entrou no espaço reservado para os maracatus no ensaio de abertura do carnaval multicultural da prefeitura da cidade do Recife, certo desconforto ocorreu. Sua “comissão de frente” era composta por pessoas que moram em Chão de Estrelas, em sua grande maioria negros e favelados, vestidos com suas roupas cotidianas, sem nenhum glamour que as fantasias conferem a essas mesmas pessoas quando desfilam na passarela. Lá estavam Jorge, o porta estandarte, mas sem a peruca, luvas, meias e fantasia bordada de lantejoulas douradas; Dona Célia e Dona Ângela sem as fantasias de baiana rica, bem como suas filhas também sem as fantasias de dama da corte, princesas e damas do paço. Mas são essas mesmas pessoas que vamos admirar na passarela, ricamente vestidas… Acho que o Cambinda Estrela teve neste ato simbólico a coragem de mostrar que o espetáculo do Carnaval é feito por gente assim, que quando entra no espetáculo como é, quando tira a fantasia parece estar deslocada, fora de lugar… Talvez porque o carnaval com suas fantasias sirva mesmo para mascarar esses lugares, para que a sociedade só possa ver os negros e favelados fantasiados, mas não a face crua da miséria cotidiana. Talvez em momentos como estes, ainda que tão raros, possa se desmascarar a face oculta de nossa sociedade, rasgar a fantasia de que esses lugares sociais estejam assim tão demarcados…

Publicado em Não categorizado | Deixe um comentário

Maracatu Nação Cambinda Estrela na Terça Negra


Há milênios, a música serve ao homem para expresssar seus sentimentos e emoções, comunicar-se com os deuses, manifestar suas idéias e convicções políticas. A “Marselhesa” arrastava multidões durante a Revolução Francesa, e simbolizava a resistência à ocupação alemã durante a Segunda Guera Mundial, quando Paris foi ocupada pelos nazistas. A Internacional, uma das músicas mais conhecidas e tocadas em todo o século XX simbolizou o sonho de transformação e criação de um mundo igualitário, emociando ao redor do globo milhares de pessoas, sempre que era tocada. Pessoas que acreditavam que podiam mudar o mundo, pessoas que lutavam em prol dessas mudanças. Quando se quis silenciar essas idéias políticas, quando se aboliram os partidos políticos, quando se quis calar, amordaçar foi através da música que os homens gritaram ao mundo seus ideais. Quando na América Latina, em diversos momentos do século XX, as ditaduras prendiam, torturavam, matavam e tentavam calar aqueles que lutavam por justiça, foi na voz de Victor Jara, Mercedes Sosa, Silvio Rodrigues, Pablo Milanés, Geraldo Vandré e Chico Buarque de Holanda que ouvimos: Afasta de mim este cale-se!
O Maractu Nação Cambinda Estrela tem orgulho de ser um maracatu de festa e luta, tem orgulho de denunciar a discriminação racial e levantar como bandeira de luta a campanha pelas cotas nas universidades. Porque através da música, do potente batuque dos tambores que ressoa por todo o mundo, podemos dizer:

Faço festa e faço luta
Bato bombo pra pensar

Somos Cambinda Estrela
Nós não vamos nos calar


Publicado em Não categorizado | Marcado com | Deixe um comentário

Quando será que sai o novo CD?

Este ano, um pouco antes do carnaval, nosso amigo Alfredo Belo aproveitou a oportunidade e gravou o Cambinda Estrela na rua, em frente a sede. O resultado, esperamos que todos possam aproveitar em breve, com o novo cd do Cambinda.
Enquanto isso, enquanto não podemos ouvir, podemos ver os registros fotográficos do festa.

Publicado em Não categorizado | Deixe um comentário

CD do Cambinda

Estava hoje lembrando com que garra gravamos o CD do Cambinda Estrela. E com que alegria também! Eu, pra variar, registrei tudo com minha câmera… que naquele ano era ainda muito, mas muito amadora…
O importante foi a disposição de acertar, de fazer o melhor cd, respeitando certa concepção musical, de tentar manter o mais fiel possível nossa gravação a um maracatu na rua… se é que se pode dizer isso.
eu ainda gosto muito do texto que escrevi para o encarte, porque preserva nossa filosofia, de que o mais importante de tudo está nas pessoas… e é preciso acima de tudo respeitá-las. e levar adiante nossa bandeira, que é sim nacional.

Publicado em Não categorizado | Marcado com | Deixe um comentário